
A população de baleias-jubarte no Brasil passou de cerca de 1,5 mil para mais de 35 mil animais em trinta anos. O dado é do Instituto Baleia Jubarte, que monitora a espécie há quase 40 anos. O número recorde de mais de 35 mil baleias foi registrado em 2022. O cálculo deste ano ainda está em andamento e deve ficar um pouco abaixo, o que os pesquisadores atribuem a ciclos naturais da espécie.
A caça das jubartes, praticada desde o período colonial para extrair óleo, foi proibida no Brasil em 1987. Um ano depois, pesquisadores encontraram uma pequena população sobrevivente no arquipélago de Abrolhos, na Bahia. A descoberta levou à criação do Projeto Baleia Jubarte, que se tornou um instituto em 1996.
"Na primeira estimativa, no início dos anos 90, tínhamos de 1,5 mil a 2 mil baleias. Hoje estamos com mais de 35 mil. O sentimento é de dever cumprido. A população se recuperou de verdade", disse Enrico Marcovaldi, fotógrafo e um dos fundadores da iniciativa.
A espécie saiu da lista de ameaçados de extinção em 2014. O diretor-executivo Eduardo Camargo aponta a poluição por microplásticos e as mudanças climáticas como os novos desafios para os animais. Em 2006, a comparação de fotografias das caudas das baleias — que têm padrões únicos como impressões digitais — revelou que as jubartes que se reproduzem na costa brasileira vão se alimentar nas ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, na Antártica.
O instituto já recebeu mais de 700 estagiários de graduação, apoiou cerca de 60 projetos de mestrado e doutorado e publicou mais de 130 artigos científicos. O financiamento principal vem da Petrobras, patrocinadora desde a formalização do instituto.
Fonte: Jornal de Brasília




