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Notícias/NEWS22/10/2026· KF News

TCU dá 240 dias para CNPE decidir sobre o futuro da usina nuclear de Angra 3

Foto: Divulgação/Poder360

O Tribunal de Contas da União, o TCU, estabeleceu nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, um prazo de 240 dias para que o CNPE, o Conselho Nacional de Política Energética, tome uma decisão sobre o futuro da usina nuclear de Angra 3, localizada em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A determinação foi aprovada por unanimidade pelo plenário da Corte, em processo relatado pelo ministro Benjamin Zymler.

O prazo funciona em duas fases: primeiro, o Ministério de Minas e Energia tem 120 dias para atualizar e disponibilizar os estudos técnicos necessários. Após a entrega, o CNPE tem mais 120 dias para decidir se a obra continua ou é encerrada de vez.

A construção de Angra 3 começou na década de 1980, passou por várias interrupções e está paralisada desde 2015. Hoje, 66% da obra está concluída e cerca de R$ 12 bilhões já foram investidos. Um estudo do BNDES estima que seriam necessários mais R$ 23,9 bilhões para terminar o projeto. Enquanto não há decisão, manter a obra parada custa aproximadamente R$ 1 bilhão por ano.

A indefinição consumiu cerca de R$ 2,5 bilhões da Eletronuclear entre 2024 e meados de 2026. A empresa encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 142 milhões e dívida líquida ajustada superior a R$ 7,25 bilhões. Em setembro de 2026, a Eletronuclear conseguiu suspender temporariamente o pagamento de dívidas com o BNDES até o fim de 2027, mas o TCU alertou que a medida apenas adia parte dos custos, sem resolver a situação financeira da estatal.

A crise também afeta a INB, Indústrias Nucleares do Brasil, responsável pelo fornecimento de combustível para Angra 1 e 2, que registrou prejuízo de R$ 156 milhões em 2025. Como mais de 99% das receitas da INB dependem da Eletronuclear, o TCU identificou riscos para o fornecimento de combustível nuclear. A holding ENBPar, que controla as duas empresas, viu seu lucro cair de R$ 414 milhões em 2023 para R$ 186 milhões em 2025. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou em setembro que o governo pretende apresentar uma solução para Angra 3 ainda em 2026.

Fonte: Poder360