
O jornal americano The Wall Street Journal publicou nesta quarta-feira (28) um editorial classificando como "vingança política" as medidas tomadas contra o senador Flávio Bolsonaro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto, intitulado "Ao vencedor do Brasil, a vingança política", é assinado pelo conselho editorial do WSJ, que representa as posições oficiais da seção de opinião do jornal.
O editorial questiona a imparcialidade da Justiça brasileira e defende a decisão dos Estados Unidos de receber Flávio, sua mulher e suas filhas. Segundo o jornal, o senador saiu do Brasil, atravessou a fronteira com a Argentina e chegou a Miami na própria quarta-feira, depois que o ministro Alexandre de Moraes autorizou um pedido da Polícia Federal para apreender seus passaportes.
O WSJ também critica a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado, classificando o resultado de quatro votos a um como tendencioso. O jornal aponta vínculos de integrantes do colegiado com Lula: Cristiano Zanin atuou como advogado do presidente e Flávio Dino passou pelo Ministério da Justiça. Em contraponto, o editorial elogia o voto contrário do ministro Luiz Fux, ressaltando as 452 páginas de objeções sobre competência, provas e devido processo legal.
O texto ainda menciona uma declaração atribuída a Lula em debate de campanha, na qual o presidente teria associado a perda da imunidade parlamentar de Flávio à abertura de investigações. A partir disso, o conselho editorial acusa Lula de ter escolhido o adversário como alvo antes de buscar uma justificativa criminal. Essa é uma interpretação do WSJ, não uma conclusão judicial.
Na parte final, o jornal projeta que Lula poderá indicar até 4 novos ministros ao Supremo nos próximos 4 anos, em uma Corte de 11 integrantes, e cobra do novo Senado brasileiro a defesa da independência do Judiciário. O editorial encerra questionando se o Brasil conseguirá resistir ao que o WSJ descreve como avanço do autoritarismo.
Fonte: Jovem Pan




